quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

"DA VILA DE CANAVEZES"





Só podemos ter orgulho em ser MARCOENSE, conhecendo a história do Concelho, as suas raízes, o que configura a identidade da nossa Terra.

E essa é uma das preocupações cívicas da Associação dos Amigos do Marco de Canaveses.
Começamos, hoje, a deixar documentos de 1682, atribuídos ao Padre Torquato Peixoto, sobre as diferentes freguesias do Concelho.
Pensamos que a sua divulgação é do interesse de todos nós:
Doc.1


domingo, 8 de janeiro de 2017

BLOCO DE ESQUERDA PROMOVE DEBATE






A Associação dos Amigos do Marco esteve representada no debate promovido pelo núcleo do BE no Concelho e fará isso com todas as instituições que a convidar.
Gostamos de ouvir Marisa Matias. O auditório Municipal estava quase cheio.
Marisa usou uma linguagem clara e rigorosa, sem o estilo propagandístico e repetitivo que tanto enfada! Explicou-nos de forma muito simples, mas com dados,  os riscos que corre a Comunidade Europeia.
Fez-nos pensar na deriva da Comunidade Europeia: depois do Tratado de Maastricht a livre circulação de pessoas, produtos, serviços e capital deslizaram para livre circulação de capital e produtos e esqueceu-se o fundamental, o que fazia de uma Europa a Europa das nações, ou, como muitos preferem, a Europa dos Cidadãos.
Falou, depois, sobre o problema da dívida de Portugal. E interrogou-se sobre as incertezas que neste ano pairam sobre a Europa, não só pelos efeitos de Trump e Putin, mas também pela possibilidade da direita xenófoba e populista ganhar em muitos países e o BCE deixar as políticas que tem seguido.
Recordamos-lhe que a Europa será o que os seus cidadãos quiserem e a má imagem da Comunidade Europeia está ligada ao seu divórcio em relação aos cidadãos e no facto de se ter tornada num instrumento do capitalismo financeiro. Lembramos o que sobre a sociedade das nações disse Keynes: ou a política controla o capitalismo financeiro ou este toma conta da política. E isso não só acontece na Comunidade, mas até nas autarquias.
Chamamos a atenção para a necessidade dos jovens marcoenses que fazem parte do núcleo do BE conhecerem a história da Terra e das lutas que nela foram travadas contra a demagogia e o populismo. E conhecerem bem a sua Terra também é fundamental para  a saberem defender a sua identidade, o seu património e resolverem os grandes problemas do Concelho como o da água.
Oxalá que tenha valido a pena!

MÁRIO SOARES





Sei que Mário Soares ficará na História; sei que marcou os destinos da Europa e de África; sei que Mário Soares foi um combatente contra o fascismo; sei que Mário Soares foi perseguido e sofreu com a prisão e o exílio a defesa dos seus ideais; sei que Portugal poderia ser outro sem Mário Soares, mas já não sei se para melhor ou pior (não se pode falar sobre o que não aconteceu!); sei muito sobre Mário Soares, aquilo que todos dizem e que alguns ignoram; sei que foi talvez o político de quem mais aldrabices se disse e mais se caluniou; sei que muitos falam de Mário Soares sem saberem o que dizem.
Mário Soares partiu e com a sua partida ficamos mais pobres. É bom recordar a sua vida, a sua luta, o seu humanismo e a sua maneira de ser! E convém não perder de vista o movimento que criou, os que aderiram às suas ideias, os que construíram a obra que lhe atribuem. É que os grandes políticos fazem-se pelas circunstâncias  e, por isso, não será displicente  lembrar a propósito de Mário Soares os capitães de Abril e fazer sobre tudo isto as perguntas que Bertol Brecht colocou num operária:


“Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas

 Bertol Brecht
  

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017





Faleceu o marcoense, amigo da sua Terra, homem simples e bom, Coronel Virgílio Barreto Magalhães. Era um militar prestigiado. Esteve quatro vezes em terreno de guerra nas colónias, dirigiu cursos para oficiais milicianos em Mafra, comandou a PSP de Macau, o Grupo Regional do Norte da Brigada de Trânsito, participou em reuniões da NATO, foi comandante do Batalhão da GNR do Porto, Chefe do Estado-Maior  do Q.G. da Região Norte, Director para a região Norte do Serviço Cívico de Estudantes e Juiz presidente do Tribunal Militar do Porto. Pelo seu sentido de dever e dedicação profissional, recebeu inúmeras condecorações e louvores. Terminou a sua carreira militar em 1993. Escreveu com o professor João Baptista Magalhães um livro “Fernando Miranda Monterroso, o Homem, o Herói e o Benemérito”
Os Amigos do Marco  estão de luto. Manifestam também o seu pesar à família de Virgílio Barreto de Magalhães, particularmente à sua esposa e filhos.
A missa de sétimo dia realiza-se  na próxima quarta-feira, dia 11, pelas 19 horas, na Igreja do Bonfim.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Bom-ano para todos, mas trabalhemos por isso!




A Associação dos Amigos do Concelho do Marco de Canaveses saúda neste novo ano todos os marcoenses e faz votos para que as nuvens de pessimismo que pairam sobre todos nós, a nível local e global, se dissipem.
Vivemos numa sociedade global e nada que se passa no global é estranho às suas partes, mesmo que seja um Concelho, ou uma Freguesia.
A única arma que temos para transformar a nossa vida é a cidadania. Foi essa a razão da criação da Associação dos Amigos do Concelho do Marco de Canaveses, mas muitos dos marcoenses ainda não compreenderam que seu futuro, o futuro da sua terra, do seu país e do mundo depende da forma como se organizam como cidadãos.
Ser cidadão é criar expectativas de uma vida mais justiça, mais solidariedade e mais humana e lutar por elas, a nível local e global. A cidadania é a razão de ser  da política e da democracia.
Mas, a política, como exercício de causas, desapareceu. Hoje é, um jogo de sedução e ilusionismo que trata os cidadãos como Pavlov tratou os seus cães, quando os sujeitou ao reflexo condicionado.
A maioria dos cidadãos não dá conta disso, porque não percebe as técnicas do marketing político que sobre eles exercem. Votam como compram um sabonete que a publicidade diz ser usado por nove de cada dez estrelas. Depois queixam-se, ficam eleitores amargurados, maldizentes, sempre a demonizarem os políticos que eles próprios escolheram.
A cidadania activa, de criar expectativas e lutar por elas, pressupõe saber avaliar escolhas em função do carácter do candidato, do seu pensamento sobre o Concelho e do sentido de serviço que possui. Isso exige desenvolver no eleitor uma postura apoiada no saber interpretar sinais, no reconhecer o mérito e valorizá-lo. Não precisamos de doutores, mas de homens bons; de quem tenha muita lábia, mas não saiba ouvir; de quem promete tudo e nada cumpre; de quem tenha grande “ego”, mas sem qualquer conteúdo.
Dispensamos a cultura de contacto, do “é assim!...”, do conhecimento ditado pela digitação de palavras no Google, mas quem procure ser sábio, capaz de problematizar, perceber diferenças e construir um pensamento próprio, ligado à vida e comprometido com a vida de todos nós. Precisamos de homens cultos, que criem laços na vida social e não sejam mais um numa sociedade que se tornou num somatório de indivíduos egoístas, órfãos de si mesmos, incapazes de gerarem sentimentos de solidariedade.
A Associação dos Amigos do Concelho do Marco procura constituir-se num espaço de cidadania, aberto ao debate que faça gerar as melhores ideias para a nossa terra e para uma vida feliz, em democracia.
Infelizmente é mais reconhecida no país que no seu Concelho. Inclusivamente, na sua própria terra é excluída nas convocatórias dirigidas a outras associações, pela própria autarquia, que tem logo á cabeça dois dos seus sócios.
O mais trágico para uma Associação são os sócios envergonhados, os que fazem o jeito de se fazerem sócios, mas não geram entusiasmo, não percebem que só de mãos dadas se cria um mundo melhor. Confiam mais no marketing político do que na luta solidária.
Esperamos que o novo ano traga mais sócios para a Associação dos Amigos do Marco, sócios com espirito marcoense,  vontade de lutar pela sua Terra, pela resolução dos seus problemas, como são os da água, do saneamento básico, dos transportes, da educação e da saúde.
Já se sente o frenesim das próximas eleições, mas ninguém conhece uma ideia nos protocandidatos sobre os problemas da nossa Terra e isso é o fundamental!
Sei que os partidos continuam a considerar que lhes basta levantar a bandeira para que o seu rebanho deposite o voto. Não dão conta que isso cada vez acontece menos, basta ver o que aconteceu em 2016 a nível global: foi o ano de todas as imprevisibilidades, falharam as sondagens e só aconteceu o imprevisto.
Hoje, ao entramos em 2017 é como se entrássemos num túnel que não sabemos se tem saída. É possível que Trump e Putin marquem o novo destino do mundo e muitos partidos de direita ganhem eleições, estilhacem a Comunidade Europeia  e o rumo de cada país seja uma tragédia humana.
Diria, tomando uma expressão de Hegel, que a "astúcia do irracional” tomou conta do nosso destino colectivo.
Ninguém parece querer agarrar nas suas próprias mãos o seu próprio destino, o destino dos seus filhos, do seu País e do mundo. O próprio Papa Francisco reconhece que o futuro depende de nós próprios e todos gostam de o ouvir, mas são incapazes de porem em prática as suas palavras!
Por que ficamos indiferentes? Não  seria de começar a acção por uma inscrição de sócio na Associação dos Amigos do Marco de Canaveses, onde a cota é apenas de dez euros por ano?
Esperamos que sim!
Um bom-ano para todos, mas trabalhemos por isso!
João Batista Magalhães