domingo, 26 de novembro de 2017

Uma oportunidade para conhecer um dos melhores da nossa Terra!

Um debate que os marcoenses podiam saber aproveitar!
Pensando bem, não nos podemos queixar da elevada quantidade de álcool que jovens consomem na nossa Terra. Isso é um reflexo da falta de estímulo de iniciativas culturais. A cultura educa-se, como o saber comer ou o saber beber. No passado sábado, a AAMC promoveu, no Auditório Municipal do Marco de Canaveses, uma conferência sobre José Monteiro da Rocha, uma das personalidades mais marcantes dos finais do séc. XVIII e início do séc. XIX. Foi educador do príncipe herdeiro, D. João VI, e dos seus irmãos, reformador dos estudos da Universidade de Coimbra, um matemático e astrónomo dos mais brilhantes da Europa do tempo, pertenceu à Academia das Ciências, etc. Nasceu na nossa Terra, mais propriamente, em Sobretâmega, Canaveses, onde tinha os pais e os irmãos que muito ajudou. Foi um Homem apagado da história por ser jesuíta, mas, hoje, está a ser reabilitado e já se prepara na Universidade de Coimbra o aniversário da sua morte com colóquios e debates sobre os seus escritos. A Academia de Ciências vai publicar uma longa reflexão sobre esta insigne figura, que foi nosso conterrâneo. Também, em colaboração com a autarquia, queremos tornar pública uma memória deste insigne marcoense.É impossível, hoje, conhecer a história da ciência, da matemática, da astronomia, do ensino, sem conhecer José Monteiro da Rocha, um Homem das luzes. Alguns académicos do Porto foram ouvir a conferência excelente que o Prof. Dr. Fernando B. Figueiredo, da Universidade de Coimbra, investigador na área das matemáticas e da astronomia, pronunciou; e o historiador, prof. Dr. Eugénio dos Santos da U.P. apresentou o conferencista e integrou a obra de Monteiro da Rocha, sacerdote, cientista e vice-reitor da U.C. no contexto histórico do tempo.
A importância desde debate teve acolhimento em alguns académicos que foram do
Porto ouvir os conferencistas, o que, para além da honra que a sua presença deu à Associação dos Amigos do Marco, também ajudaram a compor um auditório onde pouca gente do Marco compareceu, inclusivamente sócios e corpos sociais da nossa Associação.
Felizmente que a Sra. Presidente da Câmara apareceu para cumprimentar os conferencistas e se fez representar pelo Sr. Vice-Presidente durante o debate, o que é sempre um estímulo para nós, Associação dos Amigos do Marco de Canaveses

domingo, 19 de novembro de 2017

CONFERÊNCIA SOBRE JOSÉ MONTEIRO DA ROCHA - 1734-1819

Promovida pela Associação dos Amigos do Concelho do Marco de Canaveses, no próximo dia 25 de Novembro (Sábado), pelas 16 horas, no Auditório Municipal, o Prof. Dr. Fernando B. Figueiredo, da U.C. vai falar sobre José Monteiro da Rocha. Poucos conhecerão esta notável personagem, tida como um sábio, das mais respeitadas na Europa do seu tempo.
O palestrante é um académico, que fez a tese de mestrado e doutoramento sobre Monteiro da Rocha, estudando os seus trabalhos de matemático e astrónomo insigne.
Fará a sua apresentação o Prof Dr. Eugénio dos Santos e o nosso amigo e conterrâneo prof Dr. Joaquim Baldaia.
José Monteiro da Rocha nasceu em 1734 em Canaveses. Pertencia a uma família de lavradores e um dos seus irmãos foi um notável santeiro: construiu os santos em pedra que engrandecem o Santuário do Bom Jesus de Braga.
José Monteiro da Rocha foi uma das personalidades mais importantes da Europa nos finais do séc XVIII, princípios do séc. XIX. Aos 18 anos partiu para o Brasil e aí entrou na Ordem de Santo Inácio. Com a expulsão dos jesuítas permaneceu como clérigo e veio para Portugal. Por sugestão do reitor da Universidade de Coimbra,D. Francisco de Lemos, foi encarregado de organizar a nova Faculdade de Matemática (criada com a Reforma de 1772). Colaborou na redação dos estatutos da Universidade reformada, na parte respeitante às Ciências Naturais e à Matemática. Recebeu o grau de Doutor e foi incorporado nessa Faculdade, lecionando as cadeiras de Ciências Físico-Matemáticas, Mecânica e Hidrodinâmica. Em 1783 passou a reger a cadeira de Astronomia e tornou-se no astrónomo mais célebre da Europa. Nesta matéria, tem inúmeros trabalhos, pronunciou inúmeras conferências e é citado por todos os especialistas, de todo o mundo, nesta área do conhecimento.
Em 1795 foi nomeado diretor do Observatório Astronómico.
Entre 1801/1807 foi conselheiro do Príncipe Regente D. João, e, logo a seguir, foi nomeado Mestre do príncipe D. Pedro e dos outros infantes, sendo-lhe atribuído um aposento no palácio real.
Em 1804, tornou-se membro da Sociedade Real da Marinha e vice-presidente da Junta da Direção Geral de Estudos e é agraciado como membro da Ordem de Cristo. E, quando o Bispo de Coimbra e reitor da universidade, Dr. Francisco Lemos, liderou a embaixada que foi a Baiona conferenciar com Napoleão, Monteiro da Rocha substituiu o Reitor e foi o elo de ligação entre o Bispo e D. João VI que já se tinha refugiado no Brasil.
Em1814 o Dr. Francisco de Lemos morre e José Monteiro da Rocha é um dos escolhidos para fazer a oração
fúnebre durante as exéquias que, em sua honra, são feitas em Coimbra.
Em 1819 José Monteiro da Rocha faleceu em S. José de Ribamar, Carnaxide, Lisboa.
Foi reconhecido como sábio em toda a Europa e uma das personalidades mais influentes do seu tempo. No Marco de Canaveses, onde nasceu, tem uma pequenina rua com o seu nome. Mas não é referida a sua importância!
A melhor homenagem que os marcoenses lhe podem fazer é conhecê-lo bem e têm essa oportunidade no dia 25 de Novembro.
Apareça! Não podemos deixar de saber quem foi José Monteiro da Rocha. É uma obrigação cívica! Ser marcoense também é conhecer os melhores da nossa Terra.


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Por uma cidadania que dignifique o nosso Concelho!


Uma associação cívica, como a Associação dos Amigos do Concelho do Marco de Canaveses, tem, por sua natureza, a obrigação de lutar por princípios cívicos, defender o prestígio do Concelho e contribuir para a promoção do progresso social, moral, cultural e económico dos seus conterrâneos.  

Podíamos servir-nos de outros exemplos! Utilizemos, por exemplo, a entrevista que o Primeiro-ministro, António Costa, no passado dia 29 deu à TVI. Interessa-nos a sua prestação cívica.  Consideramo-la relevante pelas lições que dela se podem tirar em momentos de alguma crispação política.

António Costa  teve uma postura de Estado, disse o que deveria ser dito e, ao ser incapaz de acicatar ânimos, contribuiu para dignificar a acção política e as relações institucionais. É pena que este estilo não possa constituir um manual de boas práticas políticas. Muita gente, ligada ao seu partido, precisa dessa instrução.

Na minha terra, há uma revolta (para já em surdina!) contra intervenções feitas durante a campanha eleitoral, marcadas pelo despudorado ataque pessoal e calunioso contra o ex-presidente da câmara. Pelo que me foi contado, nem no tempo do fascismo se fazia isso e não sei se Avelino Ferreira Torres chegava a tanto! O debate político é um confronto sobre a melhor maneira de governar e não uma luta cobarde (o atingido nunca está presente), onde vale tudo, até o enxovalho.

A Associação dos Amigos do Concelho do Marco de Canaveses sempre foi solidária com quem é ofendido publicamente e cobardemente na sua honra, sem se poder defender. E os meus conterrâneos conhecem o combate que esta Associação travou contra esse estilo de fazer política. Não sabemos o que vai fazer o atingido pelas insinuações caluniosas em dois comícios, mas preocupa-nos que os lideres locais do partido, a que pertence o autor dessas insinuações caluniosas, não se distanciem do mesmo, retirando-lhe confiança política. Estas atitudes deixam profundas nódoas, não são facilmente esquecidas, vão moendo em surdina e acabam por descredibilizar os partidos e a ação política.

O exemplo de António Costa resume-se a um princípio muito

antigo, encontrámo-lo já nos gregos, nomeadamente na

“República” de Platão: antes da política está o civismo e se

este falta não se percebe para que serve a política. Por isso,

Platão defendia que a política é uma arte nobre. E

acrescentava: “Só a justiça diz respeito à política (…) o bom

político sofre a injustiça, mas é incapaz de a aplicar contra o

adversário.” E dizemos nós: muito menos caluniá-lo!

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Precisamos de um movimento cívico regenerador do sistema político.


Precisamos de uma oposição que dignifique a vida democrática. Vivemos uma crise que se revela na falta de confronto de projetos, propostas de soluções. Andamos entulhados numa retórica de simulações, acusações sem interesse, jogos de palavras, em suma, numa sinfonia adormecedora. Canta-se vitória nas derrotas e fazem-se contas dos resultados eleitorais para todos os gostos. Isto é mau para quem governa, a nível nacional ou autárquico, é mau para a democracia e é mau para a credibilidade do sistema.

Os que pensam que ganhar umas eleições é que conta estão muito errados. O poder foi sempre transitório e há quem depois de perder umas eleições fique muitos anos na oposição pelas marcas de um enorme vazio (quase nojo!) que deixou.

Vivemos hoje uma situação caricata: para percebermos bem o fervor retórico com que alguns deputados, alguns comentadores políticos, defendem “a qualidade” da saúde, a educação, o livre-mercado, o não intervencionismo, etc., temos de ir às finanças, aos sectores empresariais, e procurar saber que empresa, grupo económico ou interesse financeiro gera esse fervor, se há avenças a ligar essas instituições a grandes escritórios por onde passam deputados e notáveis comentadeiros. Ou pensam que foi por acaso que Paulo Portas ou outros foram escolhidos para as empresas que lhe dão vencimentos milionários?

Precisamos de uma regeneração, que coloque o mérito, os valores , a honra, a transparência e os projetos na linha das escolhas. O sistema partidário e o político envelheceram, abrem brechas ao populismo, e favorecem a mediocridade, o chico-espertismo e o nepotismo. O PSD é o espelho de tudo isso, mas o PS não está muito melhor. Quem ouviu as declarações triunfalistas de Pizarro no dia das eleições, até poderia pensar que não só ganhou aquelas eleições como mais três ou quatro, quando foi para todos os efeitos um derrotado e sem atingir as votações que o PS já teve noutros tempos. É esta verborreia que se tornou encantatória para quem vive em circuito fechado, como são os polítiqueiros. Abrir este fechamento aos problemas reais das pessoas só é possível, quando governo e oposição se preocuparem com o que dá razão à democracia: escolher os melhores, com os melhores projetos, as melhores crenças ideológicas, para diminuir o sofrimento dos que mais sofrem. Espero que o congresso do PSD seja a oportunidade para sair do pantano em que caiu e saiba criar condições para que uma figura honesta, trabalhadora e sem aqueles truques de ilusionismo que dominam os gastos e estragados politiqueiros, ganhe a direção do partido. Sem uma oposição credível e forte, este governo terá a tendência para funcionar em roda livre, privilegiando os seus apaniguados. Não basta dizer-se de esquerda, é preciso que a sua prática o demonstre. e isso só acontece se tiver confronto.

São frustrantes os resultados do PC e do BE, as duas formações políticas que deram sentido à geringonça e contribuiram para os seus bons resultados.

É necessário que o voto transporte uma convicção e não seja um calculo de pontaria. É tempo de todos os portugueses se sentirem representados por quem escolhem e a política deixar de ser orientada por lógicas de circunstâncias ou até mafiosas.

Sinceramente, mais importante que o partido das nossas simpatias é que as instituições sejam credíveis e o sistema se abra ao mérito, há transparência e aos valores da honra para que os portugueses acreditem em quem os governa e confiem na construção de um futuro melhor.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Se o voto é uma arma, não a vire contra si!


Está a terminar a campanha eleitoral. Neste São Miguel dos votos, foi um fartote de beijinhos, sorrisos, distribuição a granel de panfletos, comícios com gente à pinha, palmas e muitas palmas, cantares de ocasião, distribuição de esferográficas, etc.. Mas nesta espuma do festival eleiçoeiro o que terá ficado de verdadeiramente importante? Que ideias, projetos para o futuro, formas concretas de resolver problemas, como o da água, princípios democráticos de relação do edil com os munícipes ficaram claros e em compromisso? O que é que conhecemos de cada elemento que constitui uma candidatura, como a sua postura política, sua intervenção cívica, preocupação com a “coisa pública”, etc., que possa constituir certificado de qualidade da honestidade do candidato?

É que o blá…blá.. não chega!

Se é certo que a nível nacional os partidos gostam de contar vitória com os resultados globais, em cada autarquia quem sofre as consequências de escolher um mau candidato são os munícipes. Logo a seguir vem a fatura: são os munícipes que sofrem com a incompetência, o esbanjamento, o aumento de taxas e a ausência de sentido do bem-comum.
O Marco de Canaveses já teve experiência de escolher quem levasse praticamente a autarquia à falência; e, a nível nacional, colocasse o Concelho ao lado dos países do terceiro mundo, entregando a água e outros bens públicos a privados e julgando-se dono do Marco.
Se votasse no Marco de Canaveses (como espero votar nas próximas eleições), preocupava-me com as questões que referi. E não descuidaria o facto de saber se o candidato tinha ou não dado provas de estar integrado na defesa de causas (como, por exemplo, pertencer à Associação dos Amigos do Marco), se era pessoa em quem se podia confiar porque não tinha cadastro, se tinha sentido de Estado ou era um aldrabão, se caiu de paraquedas na política e agarra-se a ela com a sofreguidão de quem espera um tacho, se  é um vira-casaca, um camaleão, etc..
O voto é uma escolha que também nos define: é o nosso próprio critério de  avaliação dos candidatos, o nosso sentido de
responsabilidade cívica que está em causa. Se somos cidadãos honestos e responsáveis, faremos uma escolha que esteja de harmonia com os valores da honestidade, sentido de Estado, espirito de serviço e democrático; se não somos, podemos até escolher um oportunista ou um “fora de lei” qualquer.
Numa altura em que as bandeiras já desbotaram a sua ideologia, a nossa escolha define mais o nosso carácter que o partido a que pertencemos. E haverá sempre quem nos julgue por isso, se a nossa consciência cívica não o fizer!

domingo, 10 de setembro de 2017

Lançamento de "uma união cheia de história"

Um volumoso livro, com óptima encadernação e um trabalho de investigação exaustivo, com título de capa “MARCO (a nova freguesia), UMA UNIÃO CHEIA DE HISTÓRIA” (seiscentas páginas). São seus autores o arqueólogo Luís de Sousa e o historiador Cristiano Cardoso.
A iniciativa pertenceu ao Presidente da Junta de Freguesia, António Santana, bom filho da Terra e, como bom filho,
sente por ela o que ninguém mais pode sentir: uma grande paixão que soma a três qualidades raras: a inteligência, uma invejável cultura e o sentido de empreendedorismo. Convidou para participar no evento a Associação dos Amigos do Marco, o que muito honrou esta Associação.
Apresentou o livro a prof. Drª. Teresa Soeiro e o Prof. Dr. Jorge Fernando Alves. Participei neste evento (é raríssimo no Marco ser convidado para este tipo de eventos, o que não acontece em Amarante), com uma pequena reflexão, a pedido de António Santana, o que senti como generosidade sua, sobre três homens que têm sido esquecidos na minha Terra: José Monteiro da Rocha (1734-1819), criador do
Observatório de astronomia de Coimbra, reitor dessa Universidade e reconhecido como o maior cientista do tempo, em toda a Europa; Dr Fernando Monterroso (1875-1947), cirurgião-médico, interveio na campanha de Africa, salvando a vida a Mouzinho de Albuquerque, e na Primeira Guerra Mundial, comandando a primeira ambulância (uma espécie de hospital de campanha) e sendo director do Hospital militar do CEP na Flandres. É, por certo, o militar mais medalhado da história do Exército Português. Deixou grande parte da sua fortuna ao Asilo do Marco, que, a suas expensas mandou construir, e à Misericórdia do Marco, mas,
hoje, até desapareceu a foto que lá havia sido colocada em sua honra. Mais próximo do nosso tempo, lembrei o Presidente da Câmara do Marco José Cabral de Matos (1949-1953), que se inspirou nas “cidade-jardins” para criar o Jardim do centro da Cidade, e a quem a União Nacional lhe fez a vida negra, obrigando-o a exonerar-se do cargo três anos depois de o
ter assumido.
Francamente, foi para mim um dia que me senti bem, não só pela importância de participar no evento, como pela honra que o presidente da Junta, António Santana, que conheci há pouco tempo, me deu.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Uma união cheia de História


Foi um grande filósofo françês,  RICOEUR, professor do actual Presidente da República de França, Emmanuel  Macron (Quando este estudou Filosofia),  que, apoiando-se em Santo Agostinho, escreveu:”O tempo é uma distensão da alma!
Medimos as impressões que permanecem no espírito depois da passagem do tempo, e não as coisas que passam (…)
Os tempos (QUE PASSAM) indo embora, deixam uma espécie de espaço temporal (uma extensão; como uma dobra no tempo) que a MEMÓRIA retém”. A  memória de um povo, de uma comunidade, do MARCO, é a sua alma.

O livro que vai ser apresentado no próximo dia 8, dia de Nossa Senhora do Castelinho,  que o Concelho em 1946 consagrou sua protetora e tornou DIA DO CONCELHO, tem por titulo: MARCO,UMA UNIÃO CHEIA DE HISTÓRIA.
Para quem gosta do saber da MEMORIA, apareça no AUDITÓRIO DO CENTRO PROQUIAL DE SANTA MARIA (Igreja do Siza), às 21h, e regale-se com o que foi fazendo a identidade do MARCO